Antroposofia e a missão dos povos

Em busca da Alma Brasileira

Palestra de Carlos Maranhão em 16/03/2008


Há um ciclo de palestras de Rudolf Steiner – A Missão da Alma dos Povos, proferidas em 1910, onde uma das palestras trata do “homem sem pátria”. A visão antroposófica é universalista, não foca um povo em particular, e é neste sentido que podemos compreender o “homem sem pátria”. O lema “conhece-te a ti mesmo” se torna conhecei-vos a vós mesmos como povo. O homem passa por um processo evolutivo mas para entender o homem à luz da antroposofia temos que ir mais longe do que a Grécia. A Antroposofia leva-nos a encarnações passadas do próprio planeta Terra. Quando falamos de hierarquias, falamos de seres espirituais que compartilham a terra e a formação do homem. É preciso entender as hierarquias (Timeu-Platão Visão cósmica gênese e formação da Terra). Deus precisa de seres que evoluíram de evolução cósmica, porque a distância entre Ele e a criação é muito grande. Esses seres superiores também estão em processo de desenvolvimento e dependem do homem para se aperfeiçoarem. O ser humano não nasce pronto mas desenvolveu-se a partir dos elementos colocados pelos seres espirituais na cosmogênese.

Na quarta etapa de evolução (Eu) na encarnação presente da Terra, que se desenvolve a partir do conflito assim como a sabedoria se desenvolve a partir do erro, o ser humano tem uma missão. Essa missão envolve a questão da liberdade – o ser humano decide buscar o amor pelo livre arbítrio. Para existir a liberdade é importante existir também o ma, e como se compreende o mal a partir de um ser perfeito? O elemento do conflito, embate/mal, existe porque existem elementos diferentes, isto é, não há uniformidade, igualdade, homogeneidade na humanidade, e por isso existem as raças. A diferença de raças existe porque na evolução das hierarquias há elementos diferentes, e isto acontece porque alguns se atrasaram. Alguns estão no estágio normal e outros estão no estágio anormal de evolução. Cada ser humano é acompanhado pelo anjo, e acima do anjo está o arcanjo que cuida da coletividade e até das diferenças entre povos. Acima deles há os Arqueus ou Espíritos de Época, e como diz o nome, tratam de todo o espírito de uma época. São chamados também Espíritos da Personalidade; acima vêm os Exusiai, Espíritos da Forma ou Potências, que correspondem aos seres que na Bíblia são chamados de Elohim. Dentro das hierarquias há outros seres espirituais acima do homem que são: os Dynamis, Kiriotetes, Tronos, Querubins e Serafins ou Espíritos do Amor, e acima de todos, a Trindade. O Cristo é um ser superior às hierarquias. Os Arqueus atuam concomitantemente com os Espíritos da Forma normais e os que se atrasaram. O que contribui para o trabalho de desenvolvimento dos Arqueus é o que Rudolf Steiner chama de aura etérica na qual se desenvolve um povo. Se não houvesse Espíritos da Forma para trabalharem simultaneamente junto com esse povo, este seria indiferenciado, mas como existe o trabalho com os Espíritos da Forma atrasados (atuando como arcanjos e trabalhando com arcanjos normais), esse acontecimento vai conferir outras qualidades, como por exemplo, a linguagem. São seres anormais que na normalidade conferem o mal, mas sem isso não teria nascido a língua, então esse é um mal necessário para o desenvolvimento do ser humano. Outro aspecto diz respeito aos Espíritos da Forma que não se atrasaram tanto, mas que ainda assim se atrasaram para atuar como Arqueus ou Espíritos da Época, ou como diz Rudolf Steiner como Espíritos do Pensamento, e que dão diferentes concepções filosóficas, artísticas, de estilo, manifestações em todos os âmbitos da moral da arte etc. Se não houvesse essa defasagem no âmbito das hierarquias, não teríamos essa diferenciação que gera diferentes linguagens e diferentes concepções e culturas. Neste contexto é que precisamos buscar a concepção da alma brasileira.

A diferenciação dos Espíritos da Forma se dá a partir do Sol. São 7 Elohim e atuam na Terra 6 raios (Elohim) porque um deles emigrou para a Lua e atua a partir da Lua. Isto se deu no âmbito dos Espíritos da Forma anormais. Estes seres anormais atuam a partir dos planetas: Marte, Mercúrio, Júpiter (5/6) e de cada planeta temos uma fonte racial diferente:

Mercúrio - negros

Vênus - Malaios

Marte – Mongóis

Júpiter – Europeus

Saturno – Índios americanos

Nas épocas culturais pós-atlânticas temos a expansão dos povos. O estágio de diferenciação a partir da atuação dos Espíritos da Forma anormais vai-se dar a partir dos planetas, e no momento da Terra em que se dá o fim da Lemúria e início da Atlântida. Formam-se diferentes línguas e aspectos culturais no pós-atlântico, eles se espalham pelo mundo e formam os povos.

O atraso é necessário para a diferenciação e as entidades se atrasam como algo necessário, como uma dádiva ao ser humano, como sacrifício. Diferenciação de estágios de seres espirituais que se sacrificaram em prol do desenvolvimento humano. Para que cada povo possa se desenvolver e dar a sua contribuição precisamos ser diferentes. Outro aspecto importante é o encaminhamento dessas raças. Isto se dá começando no continente africano passando pela Ásia, Europa e América. A característica africana seria infantil porque é o início. Na Ásia o juvenil, na Europa a maturidade, na América o envelhecimento. Rudolf Steiner explica com isso o desaparecimento da raça indígena americana apesar do conflito com o europeu, mas o fato de ser um estágio antigo de desenvolvimento da raça cria o seu desaparecimento. Os povos para sua formação, enquanto seres espirituais, passam por todos os estágios através das várias encarnações. A homogeneidade que não havia no início é o que a humanidade precisa procurar no futuro. Ou seja, uma raça homogênea e única, mas que alcançou esse estágio pela consciência, um desenvolvimento ulterior. Por um lado poderíamos entender a tarefa, e em primeiro lugar buscarmos uma perspectiva universal do ser humano. Em segundo lugar precisamos ver em que somos diferentes na perspectiva de um desenvolvimento unitário no futuro. As peculiaridades nossas (povo) devem ser por nós colocadas como contribuição para a formação dessa unidade. O ideal de futuro é uma total miscigenação. O Brasil é um país com miscigenação acentuada e diferente de outros lugares. Olhando o povo da América que desapareceu por ser antiga, mas que pode estar aí na forma de miscigenação, temos uma raia cultural ocidental além de sermos negros, indígenas e europeus. Temos essa multiplicidade. O Brasil sendo continental tem a facilidade de comunicação na mesma língua entre as suas partes. Tem por isso a multiplicidade dentro da unidade. A postura da abertura diante do diferenciado. Sabemos o preço dessa miscigenação, se considerarmos que essas etnias não acompanharam o desenvolvimento igualitário quanto às condições culturais e econômicas de vida. A miscigenação foi feita de forma violenta. Foi formada uma população com diferença de qualidade de vida. Precisamos trabalhar esse ideal dentro do nosso povo. Esse é o ideal do amor. O arcanjo do Brasil é diferente do de Portugal porque a língua, inclusive, é diferente.